Por Que a Warner Jogou Fora um Filme Completo e com Potencial de Bater Recordes?

 

Público em uma manifestação segurando cartazes de 'RELEASE COYOTE VS. ACME' em frente a uma tela de cinema que mostra Wile E. Coyote segurando um cartaz contra a Warner Bros. por questões fiscais.


A indústria do entretenimento foi pega de surpresa com a notícia do cancelamento definitivo de Coyote vs. Acme, uma produção híbrida de animação e live-action baseada nos personagens clássicos de Looney Tunes.

O mais impressionante nessa história não é apenas o cancelamento de um filme já concluído, mas o motivo estratégico por trás da decisão: a Warner Bros. Discovery optou por arquivar o longa para receber uma dedução fiscal (o famoso "tax write-off") de aproximadamente US$ 30 milhões nas suas contas.

Confira as curiosidades por trás desse escândalo corporativo e por que muitos acreditam que o estúdio cometeu um erro financeiro colossal:

O filme que ninguém terá permissão para ver

Coyote vs. Acme prometia ser uma comédia de tribunal criativa, onde o azarado Wile E. Coyote decide processar a corporação ACME por todos os produtos defeituosos que o machucaram durante suas décadas de caça ao Papa-Légua.

O longa era estrelado por John Cena e contava com uma equipe criativa de peso, incluindo James Gunn (agora chefe do Universo DC) como produtor. Testes de exibição com público mostraram que o filme foi extremamente bem recebido, alcançando notas altas e elogios pela sua originalidade e humor.

A estatística que joga contra o estúdio

A decisão da Warner Bros. gerou indignação entre cineastas e fãs, levantando um debate financeiro intrigante. Muitos analistas de bilheteria defendem que, considerando a recepção positiva nos testes e a popularidade de John Cena e dos Looney Tunes, Coyote vs. Acme teria grandes chances de arrecadar consideravelmente mais do que os US$ 30 milhões obtidos com a manobra fiscal.

Para que a decisão do estúdio fizesse sentido financeiro puro, o filme precisaria ser um fracasso retumbante nas bilheterias. Especialistas argumentam que bastaria uma arrecadação global modesta, na casa dos US$ 70 milhões a US$ 80 milhões, para que o lucro líquido do filme superasse o valor da dedução de impostos obtida com seu cancelamento.

O precedente perigoso

Este não foi o primeiro caso de cancelamento para fins fiscais na gestão atual da Warner Bros. Discovery, que já havia arquivado o filme da Batgirl e a sequência de animação de Scoob!.

A repetição dessa estratégia corporativa gera incerteza na indústria:

Desestímulo a criadores: Cineastas e artistas temem que seus trabalhos, mesmo que de alta qualidade, possam ser sacrificados em favor de balanços financeiros trimestrais.

Perda de confiança do público: Fãs ficam relutantes em se engajar com anúncios de futuras produções, temendo que elas nunca cheguem a ver a luz do dia.

O caso de Coyote vs. Acme entra para a história como uma das maiores curiosidades e polêmicas do cinema moderno: um filme amado por quem o viu, mas que o resto do mundo nunca terá a chance de assistir.